domingo, 11 de março de 2012

Blues taxi


Ontem à noite, quando deixei Alfama para trás, apanhei um táxi para casa. Entrei, disse boa noite e o nome da rua. O taxista respondeu-me apenas, com uma voz rouca: “Importa-se que fume?”. Obviamente que não. E lá seguimos, em absoluto silêncio, sem trocar palavra - o que é coisa rara. Mas mais raro e precioso do que o cigarro e o silêncio, eram os blues que se ouviam no rádio. Andar em Lisboa só tem piada se for de táxi, de autocarro, de metro, ou a pé (em dias de sol). De carro, até pode ser muito útil para alguns, mas não tem piada nenhuma. E não é só por causa do trânsito ou da falta de estacionamento. É que, dentro do nosso carro, não há gente assim, como este taxi driver que ouve blues madrugada fora. No fim, despediu-se de mim com um “saúde, menina”.


1 comentário:

  1. Maria, devia ter lido este post antes do fim de semana... ;) Tens tanta razão! Mais convencida...a andar de táxi!!!! ;)

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